quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

A imprensa e o esporte

O futebol tem uma atração irresistível sobre as massas. E a primeira coisa que os garotos fazem quando ainda estão de calças curtas e dão os primeiros chutes nas peladas, é procurar um time para torcer. Essa paixão é natural na infância e continua ligada as pessoas com o decorrer dos tempos. Não importa a profissão que mais tarde o garoto venha a escolher. Sua paixão pelo clube escolhido na infância continua.

Não pretendemos falar sobre o torcedor comum das gerais e das arquibancadas. Vamos nos referir ao modo, mais ou menos generalizado, de como se começa a gostar de futebol, mesmo as pessoas, que por contingências várias, venham a assumir posições em que não podem ou não fica bem que o chamem de torcedor. Mas, nem por isso, deixam de ter suas simpatias pelo clube “a” ou “b”. Nunca seria possível esquecer as emoções da infância por mais sublinhadas que fiquem as tendências partidárias. Todo mundo sabe quem torce por CSA ou CRB. É claro que, com rarissimas exceções, essas pessoas torcem da forma de um popular das arquibancadas. A este, estaria faltando a serenidade que a paixão violenta e desenfreada não dá para julgar imparcialmente o que de bom ou de ruim tem o seu time favorito. Por isso, preferimos dizer que as pessoas a que vamos nos referir, não torcem abertamente, mas ficam satisfeitos com a vitória do seu clube preferido.

Há cronistas que fazem questão de esconder sua preferência clubistica, acreditando que assim procedendo, dão uma demonstração de independência, quando na realidade, se cobrem de um ridículo. Não seria admissível que um cronista, especializado em esporte, deixasse de ter seu time favorito. O futebol é um esporte essencialmente emoção, e exigir que um cronista, para ser imparcial, não tivesse simpatia por um clube, seria tolice, se partirmos do princípio de que o valor de uma opinião sensata é tanto maior quando há interesses em jogo. O cronista esportivo, muitas vezes, chega a criticar o clube do seu coração com um certo rigor, pois deseja, no íntimo, ver o time no caminho certo. Ademais, é reconhecido que, depois de um longo e habitual contato profissional com o futebol, a tendência é para o cronista ficar alheio a cores em jogo, e mais atento a técnica e aos valores que lutam pela posse da bola e pela vitória de seu clube.

Os cronistas esportivos são sempre abordados nas ruas, nas repartições, nos bares, e em qualquer lugar, por torcedores que desejam saber sua opinião sobre determinado jogador, ou até mesmo o detalhe da crise do seu clube. Eles acreditam no cronista, pedem explicações, gostam de conversar e trocar idéias sobre futebol. Para muitos, o cronista é uma enciclopédia, ou pelo menos, um fonte de conhecimentos futebolísticos. Existem cronistas que realmente conhecem e entendem de futebol, e podem discutir o assunto de cátedra. Muitos chegam a ser verdadeiros ídolos da torcida alagoana. Seus comentários, suas opiniões, suas reportagens, são aceitas sem retoques. Outros, entretanto, são apenas curiosos. As vezes, entendem menos que a grande maioria dos torcedores.

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