domingo, 18 de janeiro de 2009

Qualidade de vida e futebol sem pressão atraem atletas brasucas nos Emirados

Jogadores esquecem saudade por salários altos e mimos de sheiks

Thiago Dias Direto de Dubai

Às vezes, quando precisa falar com a esposa Michele dentro de casa, Rafael Sobis tem que apelar ao celular. O imóvel que ganhou em Abu Dhabi é tão grande, que o atacante do Al-Jazira precisa telefonar para saber onde sua mulher está. O caso do ex-colorado é só um dos exemplos da qualidade de vida que atrai os jogadores brasileiros aos Emirados Árabes. O país está disposto a se transformar em um grande centro do futebol mundial e conta com o dinheiro dos sheiks para isso.

- Futebol é o esporte mais popular dos Emirados. Pela primeira vez o campeonato é totalmente profissional. O governo apóia os clubes, nem todos são de sheiks. A idéia é que no futuro eles sejam independentes – disse Hamad M. bin Mejren, diretor executivo do departamento de Turismo de Dubai.

Um dos sheiks apaixonados por futebol é Mansour bin Zayed Al-Nahya, dono do Al-Jazira. O clube de Abu Dhabi tem o técnico Abel Braga e desembolsou € 19 milhões para tirar Rafael Sobis do Bétis. O grupo de investimentos de Mansour também é o dono do Manchester City e pagou € 40 milhões ao Real Madrid por Robinho.

Os jogadores brasileiros são os preferidos. Renato, ex-Flamengo, é o destaque do atual campeão Al-Shabab. Sobis e Fernando Baiano brilham pelo Al-Jazira. Desconhecidos no Brasil, Anderson, do Al-Sharjah, e Oliveira, do Al-Wasl, também são famosos nos Emirados. Ídolo do Palmeiras, o chileno Valdivia foi para o Al-Ain com status de “fora de série”.

Para atrair as estrelas, os sheiks oferecem salários altos e mordomias. As contas de alguns jogadores são pagas pelos clubes, que cedem ainda carros e casas. O famoso “bicho” é um atrativo a mais: um atleta pode receber até US$ 10 mil por vitória.

- Se você cai de um jeito que o sheik gosta, ele te dá o dinheiro na mão – brincou Sobis, a maior contratação da história dos Emirados.

- Aqui tem pouca violência, pouco perigo. Todo mundo tem mais dinheiro que você e você vive tranqüilo – completou o ex-colorado, que vive em Abu Dhabi com a esposa e o filho recém-nascido.

A segurança é um dos pontos mais exaltados pelos brasucas nos Emirados. Renato, que está desde 2007 em Dubai, pensa duas vezes antes de deixar a cidade para voltar a jogar no Brasil, onde é ídolo no Flamengo:

- Eu deixo meu carro aberto, com dinheiro dentro, e ninguém pega. Se bobear, o cara ainda te espera para te avisar que estava com dinheiro lá.

Dubai é uma “Torre de Babel”. Cerca de 80% da população é estrangeira e o inglês virou a língua mais falada. Isso facilitou a vida dos brasileiros, já que o árabe dá mais trabalho para estudar. Renato conta com a ajuda das filhas, que estudam em escolas locais, para aprender algumas palavras do idioma.

Opções de lazer não faltam nos Emirados. Dubai é um dos principais destinos de turistas do mundo. Segundo Hamad, o turismo já responde por 33% do faturamento da cidade, contra apenas 3% do petróleo. O shopping "Mall of the Emirates" tem até uma estação de esqui. O hotel Burj Al Arab, de sete estrelas, é o que mais chama a atenção em Dubai.

- Fiquei hospedado lá alguns dias quando cheguei ano passado. É impressionante – contou Marcos Assunção, que passou pelo Al-Ahli e agora está no Al-Shabab.

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